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25/03/2022

Esporte

Falta de infraestrutura para o treinamento do atletismo repercute na Câmara

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Vereador Déco Batisti, em pronunciamento na tribuna. Foto: Arquivo/Câmara Brusque.

A falta de uma infraestrutura profissional para o treinamento do atletismo em Brusque esteve em pauta na sessão ordinária da Câmara Municipal nesta terça-feira, 22 de março. O assunto foi levantado pelo vereador André Batisti, o Déco (PL), na discussão do Requerimento nº 77/2022, pelo qual ele pleiteia a “intervenção do poder municipal para abrigar um contingente de atletas que se debruçam sobre a prática esportiva e que se encontram desassistidos” e que têm “potencial de elevar o nome de Brusque regional e nacionalmente”.

Na tribuna, o parlamentar contou que a motivação do requerimento se deu após receber em seu gabinete, na semana passada, a estudante brusquense Tainá Garcia de Andrade (17), que sonha em seguir carreira na modalidade. Ela acompanhou a reunião presencialmente, na galeria do plenário, e assistiu emocionada ao discurso Déco e aos pronunciamentos dos demais vereadores em apoio à causa.

“A nossa única pista de atletismo disponível fica no Centro Esportivo do SESI [que será leiloado]. A gente tem tantas praças, tantos espaços públicos que estão abandonados, com capim alto, na Beira Rio, no Jardim Maluche, e que poderiam servir para treinamentos, principalmente para o atletismo, que não tem um espaço. Isso é realmente lamentável”, comentou Déco.

O vereador destacou que, em 1984, Brusque investiu na construção de uma pista oficial de atletismo nas dependências da Sociedade Esportiva e Recreativa Santos Dumont, que em outubro do ano seguinte sediou competições do Jubileu de Prata dos Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC). “Com o tempo, a pista foi esquecida, não foi dado continuidade, foram criados o campo de futebol, o ginásio e foi se perdendo apreço pela modalidade [do atletismo]. Hoje, quem quer tem que ir a outras cidades para treinar”, contextualizou. “Brusque tem capacidade e gente com vontade de seguir [carreira no esporte], mas precisa dessa contrapartida”, defendeu.

“O atletismo está jogado de lado”

Deivis da Silva, o Deivis Junior (MDB), ressaltou que bons rendimentos no atletismo requerem mesmo um espaço próprio de treinamento. “Vamos ter pela frente a volta dos jogos comunitários, com algumas provas de atletismo sendo realizadas, e dos jogos escolares, que utilizavam a pista do SESI”, disse o emedebista. “Parabéns pela proposta e quem sabe vamos arrumar uma solução junto ao Executivo”, completou.

“Nós, como representantes do povo, temos que incentivar o esporte. O esporte é saúde, é vida e tira as pessoas dos maus caminhos. Qualquer modalidade de esporte tira centenas de crianças das ruas”, opinou Natal Lira (DC).

André Rezini (Republicanos) observou que o esporte está esquecido há anos pelo poder público brusquense, “por falta de orçamento, diálogo, parcerias público-privadas”. Embora reconheça os esforços da Fundação Municipal de Esportes (FME), ele ponderou que é preciso buscar meios de fortalecer a área. “Precisamos ter uma responsabilidade e uma atenção muito maior no esporte local. O atletismo está jogado de lado. Sabemos que não tem orçamento, mas precisamos pensar um pouco à frente e sair da zona de conforto”, pontuou.

“Não só o atletismo, mas outras modalidades, como a ginástica rítmica, reclamam por espaço para treinamentos. A responsabilidade, na verdade, é do Executivo, e temos que cobrar para que o Executivo pense nisso, porque o esporte é saúde, tira as pessoas do ostracismo, dá ocupação e, com isso, logicamente traz a saúde”, argumentou Ivan Martins (União). Ele sugeriu, ainda, que o titular da FME, Edson Garcia, seja convidado a discorrer na Câmara sobre os projetos que a pasta tem para o município e anunciou que apresentará um requerimento com esse objetivo.

“Atitude política e atenta”

Marlina Oliveira Schiessl (PT) apreciou a iniciativa de Tainá: “Ela demanda desta casa que traga a sua voz e a sua reivindicação, cumprindo seu papel como uma adolescente atenta e política, que está em busca de um direito seu e do seu grupo. Isso é um movimento político muito bonito e muito importante”. A vereadora concordou que a Câmara deva questionar a FME a respeito dos planos para o esporte local e lamentou que o programa federal Bolsa Atleta, criado pelo governo Lula em 2005, não abranja as categorias de base como antes. “A gente sabe que o esporte, a educação e a cultura mudam a vida das pessoas, então, é muito importante falar sobre isso. Deixo meus parabéns pela atitude bastante política e atenta da Tainá”, reiterou.

“Como o poder público às vezes demora muito, não quero fazer demagogia ou me aparecer, mas o que vou te falar é do meu coração. Junto com alguns amigos, quero te presentear com um kit completo para que continues nesse caminho e não desistas do sonho de ser uma atleta desse esporte que tanto gostas”, disse Ricardo Gianesini, o Rick Zanata (Patriota), à estudante. “O esporte muda a vida das pessoas e tu estás no caminho certo”, emendou.

Em seguida, Rezini, que é diretor de futebol do Brusque Futebol Clube, também se dispôs a auxiliar Tainá. “Quando se fala em esporte, independente da modalidade, estamos sempre a favor de que a coisa aconteça”, frisou o republicano. “Peço mais uma vez que o governo local faça um pouco mais de esforço para buscar dinheiro no Estado e em Brasília, porque dinheiro tem, falta é projeto”, criticou.

Jean Dalmolin (Republicanos) cumprimentou Tainá por lutar por seus ideais e elogiou Déco pela apresentação do requerimento. “A gente tem um reflexo do [baixo] investimento no esporte nos Jogos Abertos. Ano após ano, Brusque perde excelentes atletas para Itajaí, Blumenau e até para outras pequenas cidades”, analisou.

Cassiano Tavares, o Cacá (PODE), ressaltou a pertinência da discussão levantada na Câmara. “Você gerou algo positivo, algo que realmente engrandece o papel de ser vereador. Parabéns e obrigado”, declarou o parlamentar à jovem. Ele também concordou que o responsável pela FME seja convidado a comparecer ao Legislativo, conforme propôs Martins. “Mesmo sendo uma pasta com poucos recursos, juntos a gente pode fazer algo bom”, cogitou.

“Quando a gente tem um sonho, tem que batalhar, correr atrás, independente se tem patrocínio, ‘paitrocínio’, se é o poder público ou a nossa vontade. Mas se não tiver a nossa vontade, não adianta. O poder público tem muitas condições de ajudar, sim, para a realização não só do sonho da Tainá, mas dos sonhos de tantos alunos, crianças, adolescentes, adultos e, por que não, de pessoas da terceira idade. No que for preciso, tenho certeza que nós, vereadores em conjunto, vamos lutar, brigar com o Executivo se for preciso, para que tenha um local próprio para o teu treinamento”, concluiu Jean Pirola (PP), dirigindo-se à estudante.

O Requerimento nº 77/2022 foi aprovado por unanimidade, com 14 votos.

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