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14/03/2022

8 de Março

Marlina: “Quando uma mulher traz uma perspectiva sobre a condição de ser mulher, ela não está louca”

Destaque

Marlina é a sexta mulher eleita para o Legislativo brusquense, a única entre os vereadores da Legislatura 2021-2024. Foto: Arquivo/Imprensa Câmara Brusque.

Em discurso pela aprovação de uma mensagem de repúdio (Moção nº 65/2022) dirigida a Arthur do Val (sem partido), deputado estadual em São Paulo, bem como por apoio aos pedidos de cassação já protocolados contra o parlamentar na assembleia legislativa daquele estado, a vereadora Marlina Oliveira Schiessl (PT) se expressou na sessão ordinária de 8 de março sobre o Dia Internacional da Mulher e propôs reflexões em contraponto às colocações do político sobre as mulheres ucranianas. “Essa é uma data extremamente de luta e não de romantização, e quando falo de luta, é de uma perspectiva prática”, argumentou.

“Cada homem deveria se indignar e se revoltar [com os áudios de Do Val], porque aquelas mulheres - numa condição de sofrimento, angústia, de ter que sair do seu lugar, deveriam ser respeitadas na essência da sua humanidade, e o deputado faz aquela fala horrenda, desrespeitosa, desumana, machista, misógina, racista. Este tipo de parlamentar é resquício dessa leva que cotidianamente reproduz e é autorizada pelas falas misóginas, machistas e racistas do presidente da República. Isso é apenas um recorte e não pode ser descolado”, contextualizou.

“Não estou louca, não. Quando uma mulher se coloca e traz uma visão e uma perspectiva sobre a condição de ser mulher, ela não está louca”, prosseguiu Marlina, reagindo a uma interferência vinda da galeria do plenário. Depois, elucidou: “Isso é a vida cotidiana das mulheres. O que aconteceu na Ucrânia [as falas de Do Val] acontece todos os dias debaixo dos nossos olhos. Isso é reprodução”.

“Nossa voz”

A vereadora defendeu que o Dia Internacional da Mulher seja comemorado com ações práticas e fez uma leitura crítica sobre a participação feminina na história da Câmara Municipal de Brusque e de sua própria eleição para a Legislatura 2021-2024.

“Mulher não quer flor, não quer bombom, apenas. Mulher quer a lembrança de que somos minoria em alguns espaços, não estamos em representatividade e a nossa voz não chega a determinados lugares”, disse. “Quando ocupo esta cadeira, como única nesse momento e como a sexta em quase 140 anos, isso me incomoda profundamente, porque não estamos aqui em representatividade”, emendou. “Então, não adianta dizer que o nosso dia é todo dia, que somos queridas, amadas, respeitadas, mas que a gente é louca quando traz um pronunciamento. Não adianta dizer que nos valorizam e respeitam e não nos garantir possibilidade”.

Luta de todas

Marlina cumprimentou as mulheres que assistiam à reunião e destacou que o 8 de março é marcado pela luta de todas as mulheres: negras, brancas, indígenas, cis ou trans. “Na nossa diversidade e nas nossas diferentes formas de ser e de existir mulher, temos posturas e entendemos a vida de maneira diferente, mas, apesar disso, existem pautas que nos atravessam, e a violência que Arthur do Val fez atravessa todas as mulheres, porque expõe todas e deveria causar repúdio também aos homens que querem uma sociedade melhor”, reiterou.

“Uma perspectiva prática não deveria ser a de nos parabenizar, mas a de primar pelo nosso espaço de voz”, sugeriu a vereadora, enfatizando que a votação da mensagem de repúdio seria um gesto alinhado a esse entendimento. Por isso, lamentou que alguns vereadores não estivessem no plenário para deliberar a proposta. “Votar essa moção é dar um recado à sociedade, porque essa data convoca também os homens a pensarem e repensarem suas relações. Não queremos romantizar. Queremos igualdade, oportunidade, respeito e mudança na prática”, concluiu.

Aprovação

A moção de Marlina foi aprovada com oito votos favoráveis, o dela e os de Cassiano Tavares, o Cacá (Podemos), Deivis da Silva, o Deivis Junior (MDB), Jean Carlo Dalmolin (Republicanos), Jocimar Lima (DC), Nik Angelo Imhof (MDB), Norberto Laurindo, o Beto Piconha (Podemos) e Rogério dos Santos (DEM).

Confira o texto da proposição:

Moção nº 65/2022, da Vereadora Marlina Oliveira Schiessl, requer o envio de: a) mensagem de repúdio ao Senhor Arthur do Val, Deputado pelo Estado de São Paulo, pelas declarações machistas, preconceituosas e misóginas efetuadas por ele sobre mulheres refugiadas na Ucrânia; b) mensagem à Assembleia do Estado de São Paulo manifestando apoio à cassação do mandato do parlamentar Senhor Arthur do Val. O parlamentar esteve em visita à Ucrânia, que sofre ataques da Rússia desde o dia 24/02/2022, sob o pretexto de entregar doações e suplementos ao povo ucraniano. No entanto, em áudio vazado de um aplicativo de mensagens, denota-se a postura inaceitável do Senhor Arthur Do Val que, entre outras frases, disse: “A fila das refugiadas, irmão, imagina, sei lá, tô sem palavras, uma fila de 200m ou mais e só deusa, só deusa, só deusa, é sem noção”, “assim que essa guerra passar eu vou voltar pra lá”, “elas são 'Gold Diggers'”, “as mulheres (ucranianas) são fáceis porque são pobres”. O conteúdo da fala somente pode ser qualificado como humilhante, violento e repugnante. Afirmar que pessoas em uma fila de refugiados são “deusas” e que mulheres ucranianas são caçadoras de homens ricos e são fáceis porque são pobres, somente denota a falta de caráter deste senhor que jamais poderia ocupar uma posição pública de tanta relevância quanto o mandato parlamentar. É preciso reforçar a sordidez dos comentários feitos pelo parlamentar quando contextualizados no momento vivido pela Ucrânia e pelo seu povo, em meio a um conflito armado que os fragiliza sobremaneira. O que resta para quem ouve o áudio é um imenso sentimento de revolta. Por isso, dada a relevância do acontecimento, entendo que cabe a este Parlamento uma manifestação veemente de repúdio ao Senhor Arthur do Val pelos comentários realizados, bem como o apoio aos sete pedidos de cassação já protocolizados perante o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo. Cumpre reforçar aqui que um dos pedidos de cassação em face do Senhor Arthur do Val, partiu de uma representação suprapartidária, incluindo assinaturas de parlamentares do PSOL, PT, PCdoB, PSDB e PL.

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