AGENDA

SESSÃO ORDINÁRIA : 21/09 - 18H

imprensa

03/09/2021

Pronunciamento

“O racismo não pode ser uma preocupação apenas das pessoas negras e não pode ser tratado como irrelevante”

Destaque

Durante a sessão ordinária desta terça-feira, 31 de agosto, a vereadora Marlina Oliveira Schiessl (PT) comentou o fato de um dirigente do Brusque Futebol Clube ter sido acusado pelo jogador Celsinho, do Londrina Esporte Clube, de cometer contra o atleta um ato racista durante a partida que as duas equipes disputaram no último sábado, 28, no estádio Augusto Bauer. Numa primeira nota emitida sobre o assunto, o Brusque FC deu a entender que Celsinho estaria sendo oportunista e que o jogador “é conhecido por se envolver neste tipo de episódio”. Após a repercussão negativa do texto, o clube se manifestou novamente por escrito, desta vez para pedir desculpas ao esportista e dizer que o posicionamento expresso na primeira nota havia sido equivocado. Ao final do texto, o Brusque FC informa, ainda, que tomará todas as medidas cabíveis diante do ocorrido e vai apurar os fatos.

“Estamos falando, sim, de um ato racista. Como professora, e como pessoa que consegue lidar com algumas temáticas com certa didática, quero dizer que a sociedade brasileira evoluiu e mostra com esse posicionamento firme que não cabe mais questões como essa passarem despercebidas. A gente sabe que é comum no esporte as pessoas utilizarem expressões racistas, no entanto, o que agravou muito esse caso foi a instituição [o Brusque FC], porque o racismo é algo que estrutura a sociedade brasileira. Uma coisa é ele estar nas relações das pessoas, o que é péssimo, mas quando as instituições lidam com isso de maneira minimalista, demonstra o quanto ainda temos a discutir”, afirmou a parlamentar.

Marlina observou que o racismo é corriqueiro dentro das instituições. “As pessoas são afligidas por essas questões e finge-se que nada aconteceu. Isso é mais recorrente do que se imagina. O caso toma uma gravidade muito grande quando se coloca em cheque a situação vivida pelo jogador, culpabilizando a vítima. Só que isso acontece o tempo todo, com as mulheres, com as pessoas negras, com as pessoas LGBT. Isso é recorrente: culpabilizar a vítima que sofreu uma agressão”, ressaltou a vereadora.

“Os pedidos de desculpas e os discursos que percorreram depois são importantes, no entanto, não apagam da memória o que aconteceu. Quero dizer, e fazer o convite à reflexão, de que nós precisamos combater o racismo em todas as instâncias, ele não pode ser uma preocupação apenas das pessoas negras e não pode ser tratado como algo irrelevante, porque isso é uma das causas que faz o nosso país ser extremamente desigual. Pessoas negras morrem todos os dias por terem o nariz achatado, por terem a textura do cabelo diferente, a cor da pele escura, pois esses traços são rejeitados, ridicularizados, comparados a animais. Pessoas negras não conseguem, muitas vezes, ocupar postos de trabalho, são deixadas sistematicamente de fora em função de questões como essa. Independentemente de qualquer situação ou do meio que ocorra, [o racismo] deve ser combatido com rigor”, acrescentou.

“Ninguém está aqui para massacrar, penalizar o clube, que pode, daqui para diante, pensar em outras formas [de ação], inclusive criando campanhas de conscientização e educação antirracista no município, por exemplo”, sugeriu.

Em aparte, o vereador Rogério dos Santos (DEM) parabenizou Marlina pelo pronunciamento e reiterou que o tema abordado pela vereadora é de fundamental importância. “Não podemos mais, no Século 21, conviver com essas situações”, declarou. “Inclusive, temos registrado que, no ano passado ou retrasado, o nosso então vice-prefeito e hoje prefeito municipal [Ari Vequi], falou na inauguração de uma obra que a mesma havia sido uma ‘baianada’, como se os baianos, os nordestinos, tivessem alguma inferioridade com relação às pessoas do Sul. Lamentável sob todos os aspectos”, disse o democrata.

A respeito da pauta, a vereadora apresentou o Requerimento nº 111/2021, que foi aprovado pelo plenário na mesma reunião. Na proposição, ela "requer o envio de mensagem à Confederação Brasileira de Futebol, manifestando solidariedade às campanhas de combate desta ligadas às manifestações discricionárias recorrentemente registradas nos estádios de futebol, pelo Brasil" e registra que "o ocorrido no jogo entre o Brusque e o Londrina, no sábado do dia 28 de agosto, foi uma manifestação infeliz e que não reflete, de forma alguma, o sentimento respeitoso da sociedade brusquense".

A Fundema e o Itajaí-Mirim

Num segundo momento, Marlina falou sobre uma denúncia formalizada por ela no dia 26 de agosto, junto a órgãos competentes, sobre a ocorrência do despejo de poluentes químicos nos cursos d’água que correm para o rio Itajaí-Mirim. Ela afirmou que a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Fundema) tem sido omissa em relação a esses casos.

“A gente está falando de duas situações criminosas: primeiro, o lançamento recorrente dos dejetos, e segundo, da omissão [da Fundema]. Nos últimos seis anos, a gente tem visto isso se tornar muito expressivo”, criticou. “Temos um papel importante na preservação do meio ambiente e os órgãos de fiscalização da Prefeitura precisam ocupar esse espaço, o seu lugar de fiscalizadores. Não podemos nos tornar notícia de jornal porque a Fundema está trabalhando arduamente no sentido de autorizações. E a fiscalização, onde fica? Pedimos que sejam mais vigilantes e fiscalizadores”, concluiu. 

    Nenhum tópico relacionado para este conteúdo;

    veja também