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imprensa

11/12/2019

Comenda do Mérito

Poder Legislativo comemora os 30 anos do voto eletrônico com homenagem a Carlos Prudêncio

Destaque

A Câmara Municipal de Brusque relembrou nesta terça-feira, 10 de dezembro, os 30 anos de criação do voto eletrônico, concedendo uma Comenda do Mérito Legislativo a Carlos Prudêncio, que em 1989, exercendo o cargo de juiz eleitoral, conduziu em Brusque, na 90ª sessão eleitoral, no antigo Fórum da Comarca, a primeira votação computadorizada do país. Ao todo, 373 eleitores participaram da inovadora experiência. Era a primeira eleição direta para um presidente da República após duas décadas de ditadura militar.

Proponente da homenagem a Prudêncio, o presidente do Poder Legislativo, José Zancanaro (PSB), recordou que, em 15 de novembro daquele ano, “às 17 horas, o então juiz apertava um comando do computador e, 30 segundos depois, exibia os resultados eleitorais. Estava testado e aprovado o voto eletrônico no Brasil”. O vereador prosseguiu com um discurso inteiramente dedicado ao protagonismo do homenageado na concretização da iniciativa, já que ele “não se conformava com tanta demora na divulgação dos resultados dos pleitos”.

“O fato ganhou as manchetes dos jornais. O Diário Catarinense de 16 de novembro daquele ano anunciava que os eleitores ‘tiveram ontem a oportunidade de participar de uma experiência inédita no Brasil, antecipando o que poderá ser regra geral nas próximas eleições: votar através do computador’. O Jornal de Santa Catarina noticiava que ‘os resultados foram obtidos em apenas cinco segundos, dispensando os trabalhos de uma junta apuradora’”, relatou o parlamentar.

“O sucesso da votação trouxe a Brusque uma legião de jornalistas e autoridades para acompanhar o processo no segundo turno. A Folha de São Paulo, em manchete de capa, com uma destacada foto, divulgava: ‘Computador agiliza votação em Brusque’. Ao final da reportagem, a Folha ressaltava: ‘A apuração dos votos da 5ª Zona Eleitoral, que engloba os municípios de Brusque, Botuverá e Guabiruba, terminou às 18h54’”, acrescentou o anfitrião.

Já nas eleições de 1990, contou Zancanaro, Brusque se preparou para receber a mais alta autoridade da Justiça Eleitoral no país, o ministro Sidney Sanches. “Para surpresa, a cidade recebeu cinco ministros do Superior Tribunal de Justiça e 12 do Supremo Tribunal Federal, que vieram conhecer o processo de informatização. Da visita, ganhou Brusque a aprovação do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] ao sistema de votação e Sanches presidiu a eleição a partir do nosso município”, emendou. “No segundo turno, o TSE acompanhou Brusque de perto e, daquele momento em diante, todo esforço foi feito para implantar no país, gradativamente, o mesmo sistema”.

Criador do voto eletrônico

O presidente da Câmara observou que “o criador do voto eletrônico foi elevado ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) e, mesmo depois de ver seu invento implantado em nível nacional e sendo cortejado por diversos países do mundo, Prudêncio não parou de sonhar com novas revoluções no ato de votar”. Ainda em 1989, “previu o voto em trânsito universal, fazendo com que, em qualquer parte do mundo, o eleitor consiga votar pelo computador, pois todo o sistema eleitoral estará interligado”.

“Passados 30 anos, ainda falta pôr em prática algumas partes do projeto criado em Brusque. Talvez a principal delas seja a da materialização do voto [voto impresso], testada e aprovada na cidade já no início da década de 1990, para que se tenha maior lisura no processo eleitoral. A riqueza dessa epopeia, que começou sem recursos orçamentários públicos, aconteceu no altruísmo, no sonho de um líder que se dispôs ao desafio”, concluiu Zancanaro.

Brusque, berço do voto eletrônico

Carlos Prudêncio dedicou a homenagem a todos que estiveram com ele quando da execução da primeira eleição e escrutinação eletrônicas do mundo, fato que alçaria Brusque ao posto de “berço do voto eletrônico” - como afirmou, declarando em seguida satisfação ao reencontrar no plenário antigos amigos e colegas de trabalho.

“Aperfeiçoar uma eleição é um sonho que persigo desde o primeiro dia em que fui juiz eleitoral. Essas pessoas estão aqui como meus funcionários daquela época e todos estiveram ao meu lado. Vejo também, na plateia, pessoas que ajudaram a testar, como convidados, no Fórum, o chamado voto eletrônico, na urna eletrônica, nos anos de 1987, 1988 e 1989. Foram abnegados. Vejo também filhos de amigos que lá estiveram. São personagens históricas, pois fizeram parte de um sonho que se tornou realidade no mundo inteiro”, disse.

Ele também falou sobre o computador utilizado na eleição de 1989, exposto no plenário da Câmara: “Essa máquina de votar foi resgatada há cerca de vinte anos durante um evento internacional de informática. Eu havia recebido um convite para participar, mas era bem complicado sair do tribunal e ir para outro país”. Diante da dificuldade dos organizadores do evento de convencê-lo a viajar, o jeito foi revelar que a urna eletrônica brusquense seria apresentada como a primeira desse tipo em todo o mundo. “Eles me doaram essa máquina. Ela faz parte de um móvel na minha residência, num local nobre, e pela primeira vez saiu de lá para ser exibida ao público. E não há melhor local para isso do que a Casa do Povo [a Câmara Municipal], representada pelos vereadores. Ela é digna de estar aqui para que as pessoas vejam o que foi a primeira urna [eletrônica]”, frisou.

Ao argumentar a favor da materialização do voto - ou seja, a impressão do voto registrado primeiramente na urna eletrônica, a fim de que seja depositado na antiga urna de lona pelo eleitor - ele sentenciou: “Brusque é pioneira em tudo que se possa imaginar para os próximos 50 ou 100 anos, porque tudo fizemos aqui. O projeto previa a interligação de todo o sistema de votação e de todas as sessões, para que em fração de segundos já tivéssemos os eleitos. Isso já foi aplicado em Brusque. É só levar. O governo federal quer, o TSE quer. Levem, o projeto é nosso, é de Brusque, vai ser uma honraria para nós”. 

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